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Crianças e tecnologia: as brincadeiras não são como antes!

A Barata Diz Q Tem

Sou do século passado. Sim, nasci no remoto século XX, no período pré-histórico da internet. Naquela época, brinquedo de criança era bola, boneca e carrinho, e não notebook, tablet e celular. A gente brincava de esconde-esconde, pega-pega e jogava queimada, em vez de se preocupar em postar selfie nas redes sociais. A tecnologia era coisa de gente grande, e por mais que as crianças gostassem de passar uns minutinhos na frente da televisão, brincar com os amigos e andar de bicicleta era muito mais divertido. Posso dizer que era muito mais feliz e que a gente era mais criança.

A chegada da tecnologia mudou tudo?

A tecnologia foi chegando de mansinho e entrou na vida das pessoas para valer. Hoje em dia, é mais fácil encontrar uma criança que saiba mexer no celular do que uma que amarre os sapatos direitinho ou que saiba ver as horas no relógio da cozinha. Os pais, desesperados por momentos de sossego, na esperança de hipnotizar seus filhotes por, pelo menos, um curto espaço de tempo, acabam deixando que os filhos sejam seduzidos por todo o charme das telinhas, e assim vão colaborando para o fortalecimento de uma geração que é obcecada e cada vez mais dependente da tecnologia.

A principal desculpa dos pais é que eles querem que seus filhos não sejam alienados, afinal, “saber lidar com a tecnologia é importante nos dias de hoje”. Crianças e tecnologia, atualmente, são indissociáveis.

Sim, é importante que a criança aprenda a ter contato com a tecnologia. Mas e aprender a se relacionar com as outras pessoas e com o mundo real, é importante? Ser capaz de respeitar o próximo, sentir empatia e saber lidar com os próprios sentimentos, importa? Crescer um adulto seguro, pleno e realizado, que importância tem? Se você tivesse que escolher entre fazer de seu filho uma criança mais bem preparada para o mundo ou mais hábil quando o assunto é lidar com aparatos tecnológicos, o que você escolheria?

O primeiro contato com um computador

Fui ter contato com um computador pela primeira já com idade avançada — o que hoje em dia é considerado um tremendo atraso. Naqueles tempos de internet discada, eu não via muita graça, e achava que ela só servia bem aos adultos. Eu preferia usar meu tempo com meus amigos, lendo livros e gibis e usando meus lápis de cor.

Hoje, os pequenos são expostos cada vez mais cedo aos encantos das telas brilhantes, e para quê livros e gibis, se dá para ler tudo online? Para que um caderno novinho e giz de cera de toda cor, se dá para brincar de colorir no próprio computador ou tablet?

Não me entenda mal, eu adoro a tecnologia. Não abro mão do meu celular, meu notebook é minha ferramenta de trabalho e dia desses eu investi até em um e-reader. Mas a infância que tive longe da tecnologia me ajudou a construir o que sou hoje, e eu amo conversar olhando no olho dos meus amigos, gosto de me sentar no quintal para olhar como o céu está bonito, apreciava ouvir o som dos bichinhos que moravam no meu quintal — foi por conta da minha criação ao ar livre que eu sei que minha vida real vale mais do que a vida que criei na internet.

As crianças de hoje são peritas em tecnologia, mas estão tendo que lidar com as consequências do sedentarismo, ganhando mais peso com facilidade e estão com a saúde mais fragilizada, já que não desgrudam da frente do computador. A falta de interação social faz com que os pequenos não saibam muito bem como lidar com a própria dor e com o sofrimento do outro — eles estão trocando o mundo real pelo virtual, e sequer são capazes de se dar conta disso.

E os pais nessa história, cadê?

Aprender a manusear os dispositivos tecnológicos é útil e pode trazer muitos benefícios quando são utilizados com sabedoria e discernimento, como auxiliar na educação e no desenvolvimento intelectual do seu filho. Mas para o bem do crescimento saudável das crianças, isso não precisa acontecer tão cedo e nem em excesso. Deixe seu próprio filho, um dia, quem sabe, demonstrar interesse pelo celular, tablet, televisão, em vez de oferecer o acesso a essas ferramentas como se fossem brinquedos. E quando o encontro acontecer, imponha limites e dê o exemplo — determine os momentos em que seu filho poderá acessar o computador ou mexer no celular, por exemplo.

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Assinatura Rodrigo Reis Teixeira

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