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DECLARAÇÕES DE AMOR

A Barata Diz Q Tem

Meu amor pela Nina é incondicional. Logo depois de ela nascer, a obrigação de proteger e cuidar que eu sentia nos primeiros dias virou um sentimento imenso, inexplicável, que veio com uma vontade de beijar, de abraçar, de sentir o cheirinho, de ficar perto, de saber que ela está quentinha, aconchegada, feliz.

Mas devo confessar que esse sentimento ficou muito mais intenso depois que passou a ser correspondido. Eu e o meu narcisismo achávamos meio entediante a fase em que eu transbordava amor 24 horas por dia (incluindo as madrugadas – principalmente nas madrugadas!) e a Nina não retribuía com nenhum amorzinho mais explícito.

Até que, um dia, o olhar dela para mim veio acompanhado de um sorrisinho, assim, de canto de boca, quase imperceptível. Eu tinha lido que sorrisos, aos poucos meses de vida, eram apenas reflexos involuntários, mas a ciência e a explicação lógica não me impediram de sentir, de ter certeza, que aquilo era o início de um amor manifesto.

Os sorrisos da Nina foram ficando cada vez mais frequentes e mais evidentes. Mas havia um inconveniente: eles não eram só para mim. Ela sorria para qualquer coisa que se movia, do ventilador de teto ao vizinho da janela ao lado, que nem estava olhando para ela. Essa distribuição aleatória de sorrisos, vamos e venhamos, não é amor que se preze. Eu queria certa exclusividade!

E a exclusividade veio quando os sorrisos endereçados a mim começaram a ser diferentes dos que ela atirava aos simples mortais. Era só eu chegar no ambiente dela e pronto, brotava um sorrisão imenso. Com ele, passaram a vir também abraços. E beijos babados, demorados, afetuosos.

Quando a Nina aprendeu a falar, o amor virou palavra. Pedidos de “colo, mamãe”. Elogios fantásticos como “mamãe linda”. Frases dramáticas do tipo “muita saudade, mamãe” depois da escola. E ela passou também a completar o meu “eu te…” com um “… amo!” gritado. Eu ainda não sabia se era ela me dizendo que me amava ou me dizendo que sabia que era amada, mas já sentia que, bom, estávamos aí, as duas, compartilhando um amor enorme.

Até que, há alguns dias, sentada no chão enquanto ela, do sofá, penteava meu cabelo, eu ganhei um beijo espontâneo, de repente. E ela grudou na parte de trás do meu pescoço e disse “linda, mamãe. Eu te… amo!”. Assim, a frase inteira, num rompante. Um arrebatamento. Um amor que saltou de dentro dela, que ela precisava manifestar. Que veio sem pensar, da mesma forma que, em várias madrugadas, vem a minha vontade incontrolável de entrar no quarto ao lado, dar na minha pequena adormecida mais um beijo de boa noite e ouvir um pouquinho daquela respiração que vem do berço.

Filha, meu amor por você continua incondicional. Mas eu gosto muito mais desse nosso amor de mão dupla, compartilhado, babado, confesso, escancarado e cheio de declarações.

Ninoca, eu te… amo.

Assinatura Adriane Barroso

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