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Eu e ela, como todas as outras

A Barata Diz Q Tem

Recebo semanalmente um boletim de um site especializado em bebês. Assinei um monte deles quando estava grávida, na esperança de que algum me ensinasse a ser mãe. Aprendi um monte de coisas legais, mas a tentativa de saber cuidar de um filho antes de ter um filho foi um fracasso. Descobri que toda mãe é autodidata – prometo contar sobre essa experiência aterrorizante em outro texto, em breve.

Enfim. Num desses últimos boletins, vinha uma enquete: “você acha seu filho mais fofo que os outros?”. Ri da pergunta. Claro que não. A Nina é só uma menina.
A resposta a esse tipo de questão sempre me veio muito fácil, aliás. Prezo imensamente pelo bom senso. Desde que minha filha nasceu, esforçava-me para manter meu olhar cirúrgico e meu pensamento racional: “bom, estou aqui enxergando a menininha mais linda do mundo, mas é preciso ter sensatez, apesar de agora eu ser mãe. Ela tem a cabeça grande da família do pai. O dedinho do pé torto da família da mãe. E isso não importa, importa apenas que ela é saudável e, claro, fofa como os bebês são. Um bebê como os outros”.

O problema é que imediatamente depois que recebi a tal da pergunta por e-mail, a Nina parece ter se decidido a me fazer mudar de ideia. “Mãe, eu sou a mais fofa que existe”, ela me diz o tempo inteiro quando põe em prática seu mix de gracinhas irresistíveis: conversar sozinha (aquele “goigoigói” que é o idioma mais lindo do mundo), imitar as pessoas, dançar, gargalhar com gosto, ficar brava comigo quando eu fico brava com ela, apontar para as coisas e dizer “óooooun”.

Não creio que a Nina assine um boletim sobre bebês. Portanto, ainda buscando seguir a lógica e o bom senso, só posso explicar a “mudança repentina de comportamento” dela quando penso que o que mudou foi meu olhar para a minha filha depois de pensar sobre o assunto. Na verdade, acho que a pergunta me fez entender que não é a Nina que é uma menina como as outras. Eu é que sou uma mãe comum. E, como mãe comum, posso achar a minha filha a mais linda do mundo. Tenho licença universal para perder a sensatez. Falando honestamente, agora já com mais liberdade, confesso que, no primeiro ultrassom, aquele em que só aparece um borrão incompreensível e o médico diz “é o seu bebê” e a gente finge enxergar e até chora, eu já tinha achado a Nina maravilhosa. Claro que não disse isso a ninguém, mas estou confessando agora. Aliás, sendo mais sincera ainda, lembro de ter achado aquele borrão também incrivelmente esperto e inteligente!

Então foi isso: uma enquete sobre bebês fofos me libertou. Depois dela, resolvi atravessar sem vergonha o umbral que separa as mães das pessoas normais e sensatas. Decidi falar abertamente sobre esse problema de caráter que tenho há um ano e um mês. “Oi, meu nome é Adriane e eu estou há dez minutos sem babar apaixonadamente na minha filha”. “Ooooi, Adriane”.

Mães que amam demais, doença incurável e enlouquecedora.

Assinatura Adriane Barroso

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