Pesquise por hashtags, nomes, e assuntos Pesquisar

Fechar

Mães, culpa e as férias dos filhos

A Barata Diz Q Tem

Passamos um ano inteiro dedicando nosso tempo às “obrigações” e tentando acertar o caminho para criar filhos de alto desempenho. Somos mães, esposas, donas de casa, conselheiras, motoristas, organizadoras de eventos, enfermeiras, médicas, curandeiras, cozinheiras, lavadeiras, passadeiras, administradoras do lar, profissionais… nosso dia parece ter 30 horas e ainda não ser o suficiente. Quem nunca se sentiu uma aranha com vários braços para dar conta de tudo com o bebê no colo?

A questão é que, mesmo reconhecendo nosso papel múltiplo, ainda nos sentimos culpadas por não fazer mais. Aquele sentimento de vazio que dá quando você está no trabalho e seu filho está com uma cuidadora. Ou quando você se permite ir ao salão ao invés de levar o pequeno na pracinha. Ou quando você se sente frustrada por não conseguir amamentar como gostaria. Ou quando dá aquela vontade de largar tudo e correr pros bracinhos do serzinho que você se dedica tanto para criar, mas uma oportunidade única te coloca em outra direção.

Quando comecei minha vida profissional tinha 16 anos. Tracei muitas metas, até que, após alguns anos de caminhada, um exame de gravidez positivo me surpreendeu. Minha cabeça virou, o foco mudou e as prioridades se transformaram. Comecei a devorar livros e mais livros sobre maternidade, me inscrevi em vários sites de desenvolvimento infantil e comecei a saga por tentar ser a super mãe que todos estavam aguardando.

Essa caminhada é dura. Caio foi crescendo e o sentimento de culpa foi sofrendo uma mutação. Uma hora era pela falta de tempo, outra por ter que faze-lo passar por algumas frustrações, outra por não poder dar tudo que ele queria ou o que eu tinha vontade. A verdade é que a gente, quando está com o bichinho da culpa morando na nossa cabeça, não acha que está satisfazendo nossos filhos plenamente.

Aproveitando essa época do ano, vou citar um exemplo muito curioso: o pânico que muitas mães tem das férias. Quando se aproximam os meses de julho, dezembro e janeiro o terror se instaura. O que acontece é que as férias dos filhos acabam potencializando o sentimento de culpa pela ausência, uma vez que a maioria das mães trabalha e não consegue uma folguinha no mesmo período.

Sempre que estou em uma roda de conversa, as mães falam exaustivamente que se sentem perdidas nesse período e que a dedicação integral aos pequenos acaba se tornando frustrante, pois não conseguem dar conta de tanta energia. Também compartilho disso, mas acredito que o que a gente precisa fazer é tentar enxergar por um outro ângulo. Particularmente, eu amo as férias do Caio. Pense comigo: em meio a tantos compromissos você tem menos obrigações, menos horários externos a serem cumpridos, não tem dever. Um descanso na correria. Uma oportunidade de flexibilizar o tempo.

Férias, para mim, é sinônimo de tempo junto. Sempre que esses meses se aproximam, eu e Caio pegamos nosso bloquinho de planejamento, entramos nos sites e canais de atividades infantis e escolhemos várias experiências para realizar. No bloco a gente anota a lista de materiais que precisarão ser comprados e a brincadeira já começa por aí.

Por mais difícil que seja, a gente precisa encontrar alternativas para fugir do bichinho da culpa. Algumas são mais complicadas, mas existem aquelas que a gente consegue mudar. Uma mudança de postura, uma mudança de rotina, uma mudança pra trazer e aproximar nossos filhos da gente. Humanizar esse processo. Mostrar para nossos filhos que também somos humanos e que estamos no jogo da tentativa.

O que nos conforta é saber que partilhamos desse sentimento, cada uma a sua maneira, e que estamos sempre empenhadas a fazer com que nossos filhos sejam mais do que crianças de alto desempenho. Nossa força para lidar com cada um desses sentimentos loucos da maternidade é ouvir aquela gargalhada gostosa no fim do dia e saber que isso é fruto de um pequeno feliz.

Assinatura Bianca Torres

3.00 avg. rating (68% score) - 1 vote
Esse conteúdo foi útil?
3.00 avg. rating (68% score) - 1 vote

Fala pra gente o que achou

O seu endereço de e-mail não será publicado.