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MINHA PEQUENA REBELDE

A Barata Diz Q Tem

Ando pesquisando tudo sobre as terríveis manhas típicas dos dois anos. Não posso dizer que cheguei até aqui desavisada – muitas amigas que tiveram filho antes de mim tinham me alertado sobre a existência dessa espécie de adolescência infantil. Tiro e queda: há alguns meses, vivo com uma pequena rebelde, que extrai a maior das satisfações do ato de fazer exatamente o oposto do que dizem as ordens que ela recebe.

Eu e o Pedro experimentamos inúmeras estratégias para conter nossa adolescente precoce. Dar bronca, deixar de castigo, terminar o passeio assim que algum escândalo se instaura. Mas nada, nada tem mais efeito sobre a manha da Nina do que ser simplesmente ignorada. Assim que percebe o nosso silêncio, ela chora, desespera-se, pede milhões de desculpas, barganha com beijos, abraços e carinhos. Trata-se, portanto, de uma punição Infalível – e absolutamente destruidora.

Destroi a mim ainda mais do que a ela. Minha identificação com o desespero da Nina foi imediata, porque lembro perfeitamente do pânico que sentia quando recebia como punição o silêncio da minha mãe. Doía mais que palmada na mão (não, ainda não era crime inafiançável) e que ficar de castigo no quarto. Meu maior medo, meu absoluto terror, era que minha mãe deixasse de falar comigo pra sempre.

Bom, mas aí tinha o meu pai, que fazia o papel do conciliador, do “policial bonzinho”. E tudo se acalmava dentro de mim quando ele se aproximava para explicar, com toda a paciência, o que eu já estava cansada de saber que era errado e fazia mesmo assim. Aquela conversa seríssima entre pai e filha sempre terminava com um “então agora me dá um abraço e pronto, acabou”. Algumas horas depois, minha mãe também voltaria a falar comigo e, até lá, eu seria a mais infeliz (e dramática) das crianças, mas agora um pouco mais reconfortada pelo abraço do meu pai.

Baseada nas minhas memórias de infância, propus ao Pedro um meio termo que podemos chamar de “estratégia minha mãe/meu pai”. Dizemos à Nina: “não vou mais conversar com você enquanto você não estiver sendo legal!”. Suportamos alguns minutos de sofrimento e ouvimos milhões de desculpas (e ela ainda pede desculpas com um irresistível “pipupa, mamãe”). Respondemos com um “tudo bem, a gente vai desculpar você”. Emendamos com a melhor parte de todas: “agora me dá um abraço aqui e pronto, acabou”.

Se funciona em longo prazo eu não sei. Mas que o beijo melado que a gente ganha de brinde no final facilita o processo.

Obrigada mãe, obrigada pai. Vocês são a melhor dupla de controle de rebeldia infantil que eu conheço. Que venha a outra adolescência, Ninoca. Estou pronta!

Assinatura Adriane Barroso

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