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Nesta data querida

A Barata Diz Q Tem

Não sei se para aumentar a emoção da descoberta ou para nos poupar de alguns traumas, mas existem muitas coisas que os pais experientes não contam antecipadamente aos pais de primeira viagem. As conversas sobre as alegrias que um filho traz são bem comuns, mas quase nunca se fala sobre os momentos difíceis que chegam quando nossa vida é atropelada por um bebê.

É claro que algumas dessas dificuldades são de domínio público. As noites mal dormidas, por exemplo, que parecem intermináveis e provocam até dor física nos momentos de pico. Ou a amamentação, que é uma experiência linda, mas complexa o suficiente para angustiar boa parte das mães.

Para mim, contudo, nada, NADA se compara ao susto que levei ao descobrir do que se tratam as festas de aniversário infantis. Depois que a Nina nasceu, fui admitida numa espécie de mundo paralelo que se desenrola em buffets infantis, casas particulares e parques públicos, e que envolvem sempre: dezenas de crianças enlouquecidas, pais cansados tomando alguma coisa em copos de plástico, comida espalhada pelo chão, a pior acústica que você pode imaginar em um lugar. O processo de civilização é algo que fica em suspenso nesse ambiente a que só os pais têm acesso. Adultos acotovelam-se para segurar seu filho no pula-pula e frases como “não ponha o brigadeiro na cabeça do coleguinha” são ditas com a maior naturalidade. Os salgados estão invariavelmente morninhos por fora e pelando por dentro, o que faz com que a minha filha, em desespero, dirija-se rapidamente a mim para cuspir na minha mão o que ela não conseguiu engolir depois de queimar a boca.

Tentei evitar esse tipo de situação fazendo nessa data uma festinha caseira e modesta no aniversário de um ano da Nina. Como atualmente moro em uma cidade bem pequena de um país bem pequeno, fiz com as minhas próprias mãos o bolo de chocolate, os doces, os canapés. A festa contava com quase nenhuma criança e poucos convidados adultos. Mesmo assim, ao fim do dia eu parecia ter sido arremessada contra a parede algumas vezes. Meus braços doíam por enrolar brigadeiros. Meus pulmões falhavam por encher balões. Eu me sentia culpada porque não entendi como se gruda o granulado na lateral do bolo que eu fiz e o primeiro bolo da Nina, portanto, só tinha granulado na parte de cima. Por fim, a Nina berrava, inconformada por ter sido acordada para marcar presença em seu próprio aniversário.

Tiramos fotos lindas, eu fiquei bêbada e todos foram embora felizes, com meu bolo torto e sem granulado na lateral embrulhado em um guardanapo. Percebi, pelo meu nível de stress, que o evento havia sido um sucesso. Porque é assim, estressante, que aniversários de crianças têm que ser e serão, até o fim da humanidade. Mesmo os pequenos. Mesmo os do seu filho. Mesmo se você for descomplicado e quiser só “fazer uma comemoraçãozinha”. Serão sempre terríveis e adoráveis os aniversários de crianças.

Pais de primeira viagem: depois não digam que não foram avisados.

Assinatura Adriane Barroso

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