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O Desafio da Baleia Azul e as Escolhas que Fazemos pelas Crianças

A Barata Diz Q Tem


Você já deve ter recebido muitos textos e imagens sobre o Desafio da Baleia Azul. Já deve ter lido, procurado se informar, se desesperado (caso tenha um adolescente em casa) e até se aliviado por não ter que lidar com essa situação de perto. E, por mais bizarro que seja, já deve ter recebido diversos memes e outros tipos de piadinhas sobre o tal desafio.

Não! Isso não é caso para rir, fazer piadas ou elevar seu ego como o seguro que cria bem seus filhos a ponto deles não entrarem numa furada dessas. Nossa insensibilidade chegou ao ponto de não enxergarmos o outro. Empatia não é uma atitude que praticamos. E, por mais que a gente se esforce, não conseguimos ter relacionamentos profundos a ponto de falar. Sim… falar sobre nós mesmos e sobre nossas angústias.

Assim como eu e você já estivemos ou ainda estamos, nossos adolescentes estão imersos em uma crise social, emocional e de identidade. Estamos tão voltados para nós mesmos e para nossas redes virtuais que esquecemos de olhar as necessidades de afeto mais básicas de nossos filhos, sobrinhos, afilhados, vizinhos. Não nos abrimos para escutar, para ouvir um pedido de ajuda, para perceber que tem alguém gritando por socorro no silêncio mais perturbador.

Não, meus caros! Os smartphones não são uma distração inocente que passa a galinha ou a porquinha que nossos filhos tanto gostam. Devem ser usados com moderação, muita moderação, além de controle e intervenção. O Desafio da Baleia Azul é apenas a ponta do iceberg, apenas o estopim de um problema muito mais amplo. O suicídio mata mais que homicídios, desastres ou HIV, segundo a Organização Mundial de Saúde. A faixa etária? 15 a 29 anos.

Os adolescentes estão demonstrando que não estão emocionalmente saudáveis. Eles entram no jogo para desafiar todos os limites, para buscar motivação e para encontrar coragem para resolver algo. O problema é não conseguir sair. O problema é quando quem está em volta fica inerte à situação. O problema é não enxergar o que está por trás disso tudo.

Confiar e conferir. Não existe nada mais certo que isso. Devemos demonstrar respeito, amor e confiança por nossos jovens, mas devemos estar em constante vigilância.

O que devemos discutir é o começo dessa historinha. O que gera. O fato propulsor. Já parou para pensar quanto tempo você dedica ao seu celular? Quanto tempo deixa seus filhos imersos em vídeos e jogos para que se sinta livre para suas atividades? O que tem oferecido a eles como formação e atividades? Acredito que o cerne da questão esteja aí. O começo de tudo está na infância e como ela é conduzida.

Quando identificamos um adolescente problemático, já é tarde demais. Já foram perdidas tardes deliciosas que poderiam ter sido aproveitadas em parques, dias de chuva com jogos na varanda e até a montagem daquela casinha ou foguete que eles tanto queriam, com uma caixa de papelão.

Quando o adolescente entra em um desafio desses, ele já não espera mais que você pare para escutar (e valorizar) seus dilemas, pois você nunca o fez em sua infância. Quando ele atenta contra a própria vida em um jogo sem volta, ele já não quer que você dedique seu tempo para brincadeiras lúdicas. Quando ele desiste de lutar, ele demonstra que o tempo passou, não foi bem aproveitado e está cobrando um preço altíssimo.

Falamos aqui sempre da importância de uma infância bem vivida. E, quando a gente se remete a isso, não estamos falando apenas pelas crianças. Falamos pelos adultos, que tem a oportunidade de oferecer aos pequenos jogos, brinquedos e brincadeiras que demandam envolvimento.

O que o Desafio da Baleia Azul nos trás? Se a sua resposta foi medo, comece a rever seus conceitos. Esse desafio, bem como tudo que está por trás dele (o iceberg que falei no começo desse texto), traz um alerta para mudarmos a nossa postura com as crianças. Avalie a estante de brinquedos dos seus filhos, o dia a dia e as atividades deles. Só assim começaremos a sair do círculo vicioso que a tecnologia nos remete.

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